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O erro que a maioria das empresas comete sem saber

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Há uma frase que ouvimos quase todas as semanas em reuniões de diagnóstico: “O nosso cliente é toda a gente que precisa do nosso produto.”

Parece inofensiva. Até parece inteligente — porquê fechar portas, certo? Mas é provavelmente a frase mais cara que uma empresa pode dizer, porque é o início de um orçamento de marketing a ser gasto a falar com pessoas que nunca vão comprar.

Não é falta de criatividade. Não é falta de orçamento. É falta de foco. E falta de foco não se resolve com mais anúncios — resolve-se com uma pergunta mais difícil: para quem, exatamente, estamos a falar?

 

Porque é que “vender a toda a gente” é o mesmo que não vender a ninguém

Um anúncio, um post ou um argumento de venda só funciona quando a pessoa do outro lado sente que aquilo foi escrito a pensar nela. Quando a mensagem tenta agradar a todos — ao dono de uma PME, ao diretor de uma multinacional, ao empreendedor a solo — acaba por não soar relevante para nenhum deles.

É matemática simples de atenção: uma mensagem genérica gera reconhecimento genérico. A pessoa lê, não se identifica com nada específico, e continua o scroll. O orçamento foi gasto. O resultado, zero.

O problema raramente está na qualidade do produto ou do serviço. Está em tentar comunicá-lo da mesma forma para públicos com problemas, linguagem e prioridades completamente diferentes.

 

O que é, na prática, uma persona

Esqueça a definição de manual de marketing com dados demográficos soltos — idade, género, localização. Isso é útil, mas é só a superfície.

Uma persona é a representação do seu cliente ideal real, construída com base em três coisas:

  • O problema concreto que o move. Não “quer crescer o negócio”, mas “está a perder clientes para um concorrente mais barato e não sabe justificar o preço mais alto”.
  • O momento em que procura ajuda. É quando já tentou resolver sozinho e falhou? É quando um concorrente o ultrapassou? É quando cresceu e os processos antigos deixaram de funcionar?
  • A linguagem que usa para descrever o problema. As palavras exatas que essa pessoa usaria numa conversa informal — não os termos técnicos que a sua empresa usa internamente.

 

Público-alvo vs. Persona: a diferença que muda tudo

O público-alvo diz “empresários entre os 35 e os 55 anos, com negócios entre 5 a 20 colaboradores”. É um filtro demográfico.

A persona diz “o João, dono de uma empresa de climatização com 12 anos de existência, que sabe que precisa de estar online mas já foi enganado por duas agências e agora desconfia de qualquer promessa de resultados rápidos”.

Um filtro demográfico ajuda a comprar espaço publicitário. Uma persona ajuda a escrever a frase que faz o João parar o scroll.

 

Como a falta de segmentação queima o orçamento — três formas concretas

1. O anúncio que ninguém sente que é para si.
Uma campanha para “todos os empresários” compete por atenção com centenas de outras mensagens genéricas. Uma campanha para “donos de clínicas dentárias que perdem consultas por falta de marcação online” destaca-se imediatamente — porque fala diretamente do problema.

2. O texto de vendas que tenta convencer com tudo ao mesmo tempo.
Sem uma persona definida, a tentação é enumerar todas as vantagens do produto, para o caso de alguma “pegar”. O resultado é uma mensagem longa, dispersa, sem um argumento central forte. Quem lê não retém nada porque nada foi dirigido especificamente a si.

3. O canal errado, o formato errado, o momento errado.
Sem saber onde a persona está, gasta-se orçamento em canais onde ela simplesmente não passa tempo, com formatos que ela não consome. É dinheiro a ser investido em visibilidade, não em resultados.

 

Como construir a persona do seu negócio — sem complicar

Não é preciso um estudo de mercado de seis meses. É preciso disciplina em três passos:

Passo 1 — Olhe para os seus melhores clientes já existentes.
Não os que dão mais lucro, mas os que compram mais rápido, reclamam menos e recomendam mais. O que têm em comum? Que problema tinham antes de o contratar?

Passo 2 — Escreva o problema com as palavras deles, não as suas.
Se vende software de gestão, o cliente não pensa “preciso de otimizar processos”. Pensa “estou farto de perder tempo a copiar dados de uma folha de Excel para outra”.

Passo 3 — Exclua, ativamente, quem não é o seu cliente ideal.
Isto é o passo que a maioria das empresas evita, por medo de perder oportunidades. Mas comunicar para todos dilui a mensagem para todos. Definir quem não é o seu público é o que permite falar com mais intensidade com quem é.

 

Um exemplo prático

Uma empresa de contabilidade que serve desde freelancers a médias empresas decide, depois deste exercício, focar a comunicação em “pequenos empresários com faturação entre 50 mil e 300 mil euros, que ainda fazem a contabilidade em casa por medo do custo de um contabilista, e que já tiveram um problema com as Finanças por erro próprio”.

De repente, cada post, cada anúncio, cada e-mail tem um destinatário claro na cabeça. A taxa de conversão sobe — não porque o serviço mudou, mas porque a mensagem finalmente fala diretamente com quem tem esse problema específico.

 

Conclusão: o exercício que vale mais do que qualquer aumento de orçamento

Antes de aumentar o investimento em anúncios, vale a pena parar e responder com honestidade: quem é, exatamente, o cliente que a sua empresa quer atrair? Não em termos vagos — em termos de problema real, linguagem real, momento real.

Esse exercício não custa mais orçamento. Custa tempo e disciplina para dizer não a quem não é o cliente certo, para poder dizer sim, com muito mais força, a quem é.

Na WISEMOVE, é sempre o primeiro trabalho que fazemos com qualquer cliente novo — antes de qualquer campanha, antes de qualquer anúncio. Porque nenhuma estratégia digital funciona sem esta base.

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